• Bruna Braga

SUPERPROTEÇÃO! Pai, mãe, cuidado! Você pode ser um Helicopter Parent.

Atualizado: Abr 20



Caso você seja do tipo de pai ou mãe que superprotege seu filho, seja bem vindo(a) ao clube dos “helicopter parents”. São pais que criam filhos em “bolhas” na tentativa de manter o controle e de impedir que nada de mal lhes ocorra. O termo “helicopter parents” surgiu a partir de um adolescente que se via superprotegido e com sua vida totalmente controlada por seus pais, lhe rodeando o tempo todo como se fossem helicópteros.



Jovens quando são criados para serem trabalhadores, responsáveis e independentes seguirão em grande vantagem em relação aqueles que tiveram pais-helicóptero ou que frequentaram escolas com a mesma postura.


Alguns exemplos de posturas dos pais que, em nada estimulam a autonomia dos filhos:


1. Uma criança de 9 anos estava comendo seu lanche, suja toda a boca, havia guardanapos em cima da mesa. A sua mãe, ao invés de orientar que a criança se limpe, pega o guardanapo e limpa a boca da criança.

2. Uma mãe que tem o hábito de decidir sobre tudo que seu filho pode ou não fazer, mantém a criança em estado de alerta permanente e a criança não faz nada sem o aval da mãe. Quando está sozinho, sente-se inseguro para fazer escolhas e tomar decisões.
3. Uma criança de 11 anos estava em uma sessão de avaliação, pedi que fosse até a sua mãe e pegasse seu livro. Como a mochila estava com a mãe na sala da recepção, ele gritou de dentro da sala de atendimento: "mãe, pega meu livro!!!!" E a mãe lhe trouxe o livro.

Porque os pais agem dessa forma? Porque amam seus filhos, certo? Mas essa forma de proteger o filho, acima de todas as coisas, sem permitir que resolvam seus próprios problemas, é a forma ideal de demostrar amor?


Como saber se você é um “helicopter parent” ?


Os “pais helicópteros” buscam o tempo todo a proteção de seus filhos. Preocupados em impedir que se machuquem, se frustrem ou se magoem, esses pais estão sempre à disposição deduzindo tudo o que eles precisam para estarem bem e felizes. Resolvem os problemas por seus filhos, definem o tipo de comportamento que devem ter e realizam as atividades de responsabilidade da criança/adolescente. Os “pais helicópteros” não conseguem perceber o quanto impedem o crescimento e aprendizagem de seus filhos com esse comportamento, pois os fazem buscando o melhor. Por isso não são capazes de permitir que a criança/adolescente descubra o mundo por si e aprenda com seus problemas e desafios. E, interferindo nesse processo de conhecimento de mundo, impedem que os filhos tenham suas próprias experiências.


Por trás desse comportamento dos pais, estão normalmente associados a ansiedade e medo de que os filhos não consigam lidar com a dor, os riscos e as frustrações que decorrem das relações saudáveis com outros de mesma idade.

Crianças mimadas ou superprotegidas, crescem adultos limitados para tomar decisões e mudar a própria realidade, não sabem reagir diante dos problemas e não suportam a pressão social, podem se apresentar intolerantes e são incapazes de assumir as responsabilidades pelos seus atos. Podem apresentar ansiedade, mudanças de humor e baixa autoestima. Muitas crescem frustradas e reagem a essa frustração com agressividade, muitas vezes agredindo os próprios pais.


Preocupar-se e querer o melhor para os filhos, é essencial pelo amor que se tem por eles, mas esse cuidado tem seu limite. Filhos viverão experiências diversas ao longo de suas vidas e, você como pai ou mãe, não estará sempre com ele para defende-lo, correto? Criar filhos livres e capazes de viver e aprender com as próprias experiências, é criar filhos autônomos e capazes de decidir sobre o próprio futuro, sobre a própria vida.


Então, o que fazer?


A questão não é deixar de dar atenção e cuidado. Jamais! A partir do reconhecimento dessa postura, percebemos que é justamente o excesso de cuidado e preocupação (que não permitem estimular a autonomia e responsabilidades) que nos faz ligar o alerta para essa questão. Estar presente na vida de seu filho é importante na construção de um bom relacionamento e para o desenvolvimento dele enquanto pessoa.


A criança precisa de estímulos para pensar e resolver seus próprios problemas e para reconhecer responsabilidades nas atividades de casa e com a família (de acordo com a sua idade e com a supervisão dos pais).


As experiências vividas pela criança farão com que ela erre, aprenda com seus erros, sinta-se frustrada e busque com autonomia, outra forma de fazer para ter melhores resultados. Essas experiências tornam as crianças mais fortes e resilientes.

Identifique atividades que a criança já consiga fazer sozinha e esteja atento para não ultrapassar a linha do excesso. Assim como as crianças errarão, nós também somos passíveis de erros e precisamos nos permitir cometê-los. Os acertos virão das nossas experiências e serão aperfeiçoados em nossas tentativas acertadas e frustradas também. O ideal é nos permitir viver o que há de melhor com nossos filhos, e ajuda-lo a construir uma vida real e feliz.

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